30/10/2026 ás 08:31:17
Reincidência na inadimplência tem recorde histórico e atinge 87,44% dos consumidores
Economia

Em setembro de 2026, o Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), revelou o maior recorde no número de consumidores negativados que já havia figurado nas listas de inadimplentes. Em setembro de 2026, do total de negativações, 87,44% foram de devedores reincidentes, ou seja, consumidores que já tinham aparecido no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses.

Dentro do universo de reincidentes de setembro, a maior parte, 67,05%, ainda não havia quitado as pendências antigas e foi negativada novamente. Outros 20,38% tinham saído do cadastro de devedores nos últimos 12 meses, mas retornaram. Apenas 12,56% dos negativados em setembro não estiveram com restrições no CPF ao longo do último ano.

Um dado de atenção é o tempo médio decorrido entre o vencimento de uma dívida e o vencimento de demais pendências para os reincidentes: em setembro, esse período foi de 72,5 dias. Isso significa que, em média, após cerca de 2,4 meses do vencimento de uma dívida negativada, outra dívida já vence.

Os dados do indicador mostram que, nos últimos 12 meses encerrados em setembro de 2026, houve um crescimento de 18,28% no número de devedores reincidentes, aqueles que já tinham aparecido no cadastro de inadimplentes no período analisado. A comparação é com os 12 meses anteriores.

“O avanço contínuo da reincidência no cenário atual reflete um momento bastante sensível para a inadimplência da população brasileira, culminando em um verdadeiro recorde da série histórica. Embora iniciativas de incentivo e programas governamentais de renegociação, como o Desenrola, desempenhem um papel fundamental ao oferecer uma oportunidade real para o consumidor limpar seu nome e sair do vermelho, a dinâmica econômica e estrutural muitas vezes empurra esse mesmo indivíduo de volta ao ciclo de endividamento, evidenciando que a reestruturação financeira exige suporte contínuo para evitar novos episódios de restrição de crédito.”, destaca o presidente da CNDL, José César da Costa.

Perfil dos devedores reincidentes

A análise do perfil dos devedores reincidentes em setembro de 2026 aponta que a faixa etária de 30 a 39 anos continua sendo a mais representativa, com 25,38% do total. Quanto à participação por sexo, a distribuição se mantém equilibrada: 53,07% mulheres e 46,93% homens.

O Indicador de Recuperação de Crédito de Pessoas Físicas do SPC Brasil mostra a evolução do número de consumidores que deixaram os cadastros de inadimplentes por terem realizado o pagamento das suas dívidas em atraso. São utilizadas as informações de saídas de CPFs das bases às quais o SPC Brasil tem acesso. Em conjunto com os dados de reincidência, esses dados permitem melhor monitoramento da inadimplência no país, que atinge cerca de 44,67% da população adulta.

Recuperação de Crédito piora

Paralelamente à alta reincidência, o Indicador de Recuperação de Crédito de Pessoas Físicas, que acompanha o número de consumidores que conseguiram sair dos cadastros de inadimplentes, registrou crescimento de 3,95% no número de consumidores que conseguiram sair das listas de negativados. A comparação é com os 12 meses anteriores.

O crescimento do indicador acumulado em 12 meses se concentrou no aumento da recuperação de consumidores que levaram de 4 a 5 anos (8,94%) para efetuarem o pagamento de todas suas dívidas.

Ao observar o perfil dos consumidores que efetivamente recuperaram o crédito em setembro, a faixa etária de 50 a 64 anos teve a maior participação, com 23,51% do total. A participação dos consumidores recuperados por sexo segue bem distribuída, sendo 51,09% mulheres e 48,91% homens.

O valor médio pago por consumidor recuperado em setembro de 2026 foi de R$ 2.481,06 na soma de todas as dívidas que tinha. Os dados ainda mostram que 58,88% pagaram até R$ 500 nas dívidas que possuíam.

“O elevado patamar das taxas de juros no país exerce uma pressão severa sobre as finanças das famílias brasileiras, encarecendo o crédito e transformando o endividamento em uma verdadeira bola de neve. Para o consumidor que busca romper com essa situação, o caminho exige uma estratégia firme de reestruturação: o primeiro passo é mapear e priorizar os débitos mais caros, buscar canais oficiais de renegociação para obter descontos expressivos e, em paralelo, cortar gastos não essenciais para construir uma margem de manobra financeira. Somente com controle rígido do orçamento e planejamento a médio prazo é possível recuperar o equilíbrio e evitar novos ciclos de inadimplência.”, alerta o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior.

Fonte: CNDL Brasil
Escrito por: CNDL Brasil