O fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de trabalho poderão provocar um aumento de até 30% nos custos trabalhistas das empresas, considerando os reflexos sobre horas extras, adicionais e demais encargos. A avaliação é do presidente da CDL de Sorriso, Paulo Silvestro, que manifestou preocupação com os impactos das mudanças para o comércio e o setor de serviços.
Segundo o presidente, a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição dos salários, representa um aumento imediato no valor da hora trabalhada, exigindo que as empresas reavaliem suas escalas, os horários de atendimento e a necessidade de contratação de funcionários.
“Quando eu tenho o mesmo salário para uma carga horária menor, já tenho um aumento do valor da hora de trabalho. Estamos falando de férias, décimo terceiro, horas extras e adicionais que também ficam mais caros”, explicou Silvestro.
Paulo destaca que os reflexos da mudança vão além do salário mensal, uma vez que o aumento do valor da hora trabalhada também repercute sobre os encargos e adicionais que compõem a remuneração dos colaboradores.
“Todos os adicionais projetam na remuneração final do trabalhador um custo que varia de 20% a 30%. Dependendo de quantos funcionários cada estabelecimento possui, podemos ter um custo variável que pode chegar a 30%. Isso é muito”, afirmou.
O presidente também chama a atenção para os possíveis impactos na produtividade das empresas. Segundo ele, a reorganização das jornadas, com mais interrupções, entradas e saídas de funcionários, poderá comprometer o ritmo das atividades, fazendo com que os estabelecimentos enfrentem custos maiores para manter o mesmo nível de produção ou até uma produção menor.
A preocupação não está limitada ao aumento da folha salarial. Para manter os atuais horários de funcionamento, algumas empresas poderão precisar contratar novos colaboradores ou organizar turnos adicionais, em um cenário que já apresenta dificuldades para encontrar mão de obra qualificada.
Diante dessa realidade, o presidente considera provável que estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços tenham que reduzir os horários de atendimento ou reorganizar os dias de funcionamento para equilibrar os custos operacionais. “Se eu quiser manter o mesmo horário de funcionamento do meu estabelecimento, vou precisar replanejar toda essa organização. Precisamos avaliar se vale a pena manter a empresa aberta durante determinados períodos diante do aumento dos custos”, destacou.
CDL Sorriso mobiliza empresários para discutir alternativas
Como forma de buscar soluções para os desafios impostos pela nova jornada de trabalho, a CDL Sorriso está organizando núcleos empresariais por segmentos de atuação. A proposta é reunir empresários para discutir escalas de trabalho, horários de funcionamento e alternativas que permitam reduzir os impactos financeiros das mudanças.
O primeiro encontro será realizado nesta quarta-feira, 4 de novembro, às 7h30, no auditório da CDL Sorriso, reunindo empresários do segmento de Serviços Profissionais e Empresariais.
De acordo com Paulo Silvestro, a iniciativa busca promover um amplo debate, considerando as particularidades de cada atividade econômica e a necessidade de manter o atendimento aos consumidores. “O que a gente defende é o diálogo, o debate e a construção conjunta de alternativas. Precisamos trazer todos para a mesma página, discutir os horários de funcionamento e encontrar um formato adequado à realidade das empresas”, afirmou.
O presidente também destacou que a mobilização será estendida aos demais segmentos, incluindo comércio varejista, construção civil, setor automotivo, alimentação, saúde, agronegócio e indústria. A intenção é que cada núcleo discuta suas necessidades específicas, com acompanhamento de representantes da CDL e apoio jurídico, buscando construir propostas para a organização das atividades empresariais.
O presidente reforçou que o momento econômico exige cautela, especialmente para os pequenos negócios, que possuem equipes reduzidas e menor capacidade de absorver novos custos. “Precisamos construir uma alternativa que seja favorável ao trabalhador, mas que também seja favorável ao empresário. Sem empresas funcionando, não temos faturamento, não temos clientes e não temos como pagar as contas”, ressaltou.
A CDL Sorriso convida os empresários a participarem dos encontros e contribuírem com sugestões. Os interessados podem procurar a entidade para obter informações sobre os núcleos empresariais e as próximas reuniões.