Em julho de 2026, o Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), revelou que, do total de negativações, 86,54% foram de devedores reincidentes. O dado refere-se a consumidores que já haviam aparecido no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses.
Dentro do universo de reincidentes de julho, a maior parte (66,27%) ainda não havia quitado pendências antigas e foi negativada novamente. Outros 20,26% haviam saído do cadastro de devedores nos últimos 12 meses, mas retornaram. Apenas 13,46% dos negativados no mês não tiveram restrições no CPF ao longo do último ano.

Um dado de atenção é o tempo médio decorrido entre o vencimento de uma dívida e o vencimento de demais pendências para os reincidentes: em julho, esse período foi de 71,9 dias. Isso significa que, em média, após cerca de 2,4 meses do vencimento de uma dívida negativada, outra dívida já vence.
Os dados do indicador mostram que, nos últimos 12 meses encerrados em julho de 2026, houve um crescimento de 18,30% no número de devedores reincidentes na comparação com os 12 meses anteriores.

“O expressivo aumento na reincidência revela um cenário desafiador em que, mesmo com o apoio de programas de refinanciamento, grande parte dos consumidores brasileiros enfrenta dificuldades estruturais para manter suas finanças equilibradas a longo prazo. Esse ciclo contínuo de endividamento não apenas compromete o bem-estar das famílias, mas também atua como um freio significativo para a retomada consistente do consumo e para o desenvolvimento econômico do país.”, destaca o presidente da CNDL, José César da Costa.
Perfil dos devedores reincidentes
A análise do perfil dos devedores reincidentes em julho de 2026 aponta que a faixa etária de 30 a 39 anos continua sendo a mais representativa, com 25,77% do total. Quanto à participação por sexo, a distribuição se mantém equilibrada: 54,23% mulheres e 45,77% homens.

O Indicador de Recuperação de Crédito de Pessoas Físicas do SPC Brasil mostra a evolução do número de consumidores que deixaram os cadastros de inadimplentes por terem realizado o pagamento das suas dívidas em atraso. São utilizadas as informações de saídas de CPFs das bases às quais o SPC Brasil tem acesso. Em conjunto com os dados de reincidência, esses dados permitem melhor monitoramento da inadimplência no país, que atinge cerca de 44,75% da população adulta.
Recuperação de Crédito piora
Os dados do indicador de recuperação de crédito mostram que, nos 12 meses encerrados em julho de 2026, houve crescimento de 5,30% no número de consumidores que conseguiram sair das listas de negativados. A comparação é com os 12 meses anteriores.

O crescimento do indicador acumulado em 12 meses se concentrou no aumento da recuperação de consumidores que levaram de 3 a 4 anos (38,75%) para efetuarem o pagamento de todas suas dívidas.

Observando a abertura por faixa etária dos consumidores que quitaram suas dívidas, o número de consumidores recuperados com participação mais expressiva no Brasil em julho foi da faixa de 50 a 64 anos (23,93%). A participação dos consumidores recuperados por sexo segue bem distribuída, sendo 50,67% mulheres e 49,33% homens.

Em julho de 2026, cada consumidor recuperado pagou, em média, R$ 2.348,27 na soma de todas as dívidas que tinha. Os dados ainda mostram que 60,51% pagaram até R$ 500 nas dívidas que possuíam.

“O avanço da reincidência evidencia que o problema vai muito além de refinanciamentos ou de soluções pontuais de crédito. Estamos diante de um gargalo estrutural profundo, alimentado por taxas de juros elevadas, rendas comprimidas e pela dificuldade crônica do brasileiro em manter as contas em dia, um cenário que corrói o poder de compra e freia o desenvolvimento socioeconômico do país”, alerta o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior.